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domingo, 25 de março de 2012

Long Red Hair (por Kafferdoodle)

Nascidas em uma noite de inverno rigoroso
A mãe gritou com o que viu
O médico berrou: "isto não está certo!"
Ele deixou-as sozinhas, com medo
por horas

As irmãs ali
Uma  era rosada e uma era clara
A única coisa que elas compartilhavam
É que estavam ligadas pelas extremidades de seus longos cabelos vermelhos

À medida que cresciam
Sua mãe passou a amá-las
Ela não ousaria cortar os cabelos delas
Quanto mais eles cresciam mais elas se distanciavam
O que só elas sabiam é que compartilhavam um só coração
O sangue fluía através dos seus longos cabelos vermelhos
Elas nunca pensaram em cortá-los
Elas não ousariam

As irmãs viviam ali
Cada coisa que uma amava da outra não podia esconder
A única coisa que elas compartilhavam
É que estavam ligadas pelas extremidades de seus longos cabelos vermelhos

Um dia a irmã de pele clara conheceu um homem
Enquanto a irmã rosada estava em uma banca de jornal
Eles se apaixonaram à primeira vista
Logo eles se casaram e na noite de núpcias

As irmãs ali
Uma amava o homem que a outra não se importava
A única coisa que elas compartilhavam
É que estavam ligadas pelas extremidades de seus longos cabelos vermelhos

O homem começou a beijar sua mulher
Ele pretendia realizar o ritual do casamento
Mas a irmã rosada ainda estava por perto
Embora longe, no outro lado da sala
Seu cabelo bem esticado
O homem não poderia realizar seu desejo
Então ele saiu da sala
Mas voltou muito em breve
Ele puxou a tesoura que pegou na cozinha
E cortou os cabelos bem no meio

As irmãs ali
Sangue derramado das extremidades de seus cabelos
Agora ambos pareciam claros
E essa foi a única coisa que elas compartilharam
Só que ambas com cabelos brancos

segunda-feira, 28 de março de 2011

"Bárbara Ruiva" 8)

Excerto do conto "Bárbara Ruiva", um inédito da autoria de Rómulo de Carvalho, recentemente publicado pela Página a Página, onde o autor, o professor de Físico-Química que haveria de adoptar o pseudónimo de António Gedeão, narra o encontro com Bárbara:
"Ela tinha os cabelos ruivos, ondulados com suavidade, soltos e sedosos. As poeiras, intensamente iluminadas, bailavam-lhe em torno e ganhavam a dulcíssima tonalidade ruiva. Na concavidade das ondulações breves, o Sol escorria e parecia acomodar-se em nichos de luz mais discreta. Um halo vaporoso espiritualizava-lhe os contornos e fazia perceber suavíssima penugem que faiscava com tons metálicos de cobre.
Ela falava, de costas para mim, e, de vez em quando, movia a cabeça ao sabor da conversa. Cada movimento daquela cabeça sobrenatural enchia de confusão o mundo luminoso das poeiras. Os grãozinhos projectavam-se a distância, salpicavam a luz, revoluteavam em turbilhões doidos, atropelavam-se, chocavam-se e, pouco a pouco, procuravam o equilíbrio perdido, aquietavam-se, refluíam para os fios ruivos do cabelo.
(...) Decerto um feixe de cabelos lhe caiu sobre os olhos, pois vi, na faísca fulgurante de luz, uma pequena mão que se levantou à altura da testa e afastou a fiada ruiva. Foi tão grande o alvoroço de poeiras que as vi disparar, vertiginosamente, em linhas rectas, como saltam as partículas incandescentes duma fogueira que se espalha com os pés. Deve ser assim o deflagrar dos sóis que enxameiam o universo. Aquele, era um sol de cobre. A minha cara, quase na obscuridade, devia ter a tonalidade ruiva. Sentia-a nos olhos, nas faces, nas mãos e em tudo o que me rodeava. A cabeça dela cortava totalmente o feixe de luz que incidia naquele mar de fogo e se reflectia abertamente sobre mim, me aquecia e me narcotizava".

sábado, 18 de setembro de 2010

mitos sobre os ruivos


Historicamente, o preconceito e a desconfiança sempre permearam a vida de um ruivo, bem como a crença de que eles possuíam gênios ardentes e impetuosos. Esta imagem - equivocada ou não - provavelmente deriva do fato de que os escoceses, com sua alta porcentagem de pessoas de cabelos vermelhos, são descendentes dos celtas, guerreiros notoriamente violentos. Foi essa percepção que gerou muitas crenças estranhas e fantásticas e ideias mirabolantes sobre os cabelos vermelhos. Os mitos parecem acompanhar todas as culturas e os antigos egípcios não eram exceção, como todos os outros povos, eram muito supersticiosos. Possuíam um deus para cada finalidade e situação. Assim, por um lado, eles acreditavam que os animais e pessoas com cabelos vermelhos estavam associadas ao deus 'Set', sendo que muitos de seus faraós tinham cabelos vermelhos. Isso incluiu Ramsés, que foi o pior e mais poderoso de todos os faraós. Por outro lado, também consideravam a cor vermelha como detentora de má sorte e muitas jovens de cabelos vermelhos foram queimadas até a morte com objetivo de acabar com a tonalidade. Também rolam histórias de que ruivas foram enterradas vivas na época. Bizarro!