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quarta-feira, 8 de maio de 2013

SARDAS [por Sue Monk Kidd]




Aconteceu num dia em que estava com minha filha no zoológico. Vi uma avó com uma garotinha cuja rosto era salpicado de sardas vermelhas e brilhantes. As crianças estavam esperando numa fila para que um artista pintasse suas faces com patinhas de tigre.
– Você tem tantas sardas que ele não vai ter onde pintar – um menino gritou na fila. Sem graça, a menininha abaixou a cabeça.
A avó ajoelhou-se perto dela e disse:
– Adoro suas sardas.
– Mas eu detesto - ela replicou.
– Quando eu era menina, sempre quis ter sardas – disse a senhora, passando o dedo pela face da neta. – Sardas são tão bonitas!
A menina levantou o rosto:
– São mesmo?
– Claro – disse a avó. – Quer ver? Me diga uma coisa mais bonita que sardas.
A garotinha, olhando para o rosto sorridente da senhora, respondeu suavemente:
– Rugas.
Aquele momento me ensinou para sempre que, se olharmos para os outros com os olhos do amor, não veremos o que possam ter de feio. Apenas o que têm de bonito.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Ruivos (por Thalita Borges)


Thalita Borges
Nascer ruivo é uma dádiva concebida a poucos... talvez esses poucos sejam escolhidos a dedo para serem admirados e ao mesmo tempo estranhados. Não é uma coisa fácil nadar contra a corrente, andar na contra mão em dias de trânsito e nem ser ruivo em uma sociedade preconceituosa (rs)
Mas também não esperaria o contrário, pois nós ruivos nadamos contra a corrente da normalidade e andamos na contra mão da igualdade. Somos diferentes sim. Somos lindos sim. Somos legais sim. Somos estranhos, talvez. Mas não negaremos nosso rutilismo, jamais!
Também porque seria estranho deixarmos de sermos ruivos, já que nascemos predestinados a diferença, pra que nos esconder no meio dos “iguais”?
Somos mutantes (rs). Talvez seja por isso que somos visto de forma “desigual”, mas veja bem, eu não peço o contrário. Não sou igual e me orgulho disso, por favor, veja-me como sou: ruiva, diferente, branca mais que o normal, com olhos castanhos, sardas que mesmo claras fazem parte de mim...
E seria ironia dizer que somos todos iguais, você não acha?
Bom, eu acho, somos todos diferentes por isso devem nos respeitar.
Não só a nós ruivos, mas a todos as pessoas com suas diferenças que também sofrem preconceito, porque não pense que é fácil ser vista como a estranha, a ruiva, a gringa (...) entre outros adjetivos...mas tudo bem, a diferença tem seus sacrifícios.
Temos orgulho de sermos RUIVOS e somente por isso pedimos respeito e mais conhecimento, pois se houvesse mais conhecimento, sem dúvida nenhuma, não haveria preconceito

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Ser ruivo(a) é... (por Guilherme de Carli)

Guilherme de Carli
...entrar em uma festa com pessoas desconhecidas e todo mundo olhar para você; tentar se esconder de alguém ou passar despercebido e não conseguir; ser parado na rua por mulheres que perguntam qual número da coloração com a qual tingi meu cabelo; ser adicionado em redes sociais por desconhecidos; sofrer preconceito na infância e admiração na adolescência; ganhar vários apelidos e não gostar de quase nenhum; receber perguntas constrangedoras; não poder ficar exposto ao sol sem antes mergulhar no protetor solar fator 50 (ou mais); ir à cabeleireira e ela ficar com dó de cortar seu cabelo; ser conhecido pela maioria das pessoas como "o ruivo" e poucas vezes pelo que você é ou pelo que você faz; receber pedidos para ficar com você só para a pessoa poder dizer que já beijou um ruivo; ser especial e ser raro...ser ruivo é ter um peso a mais para carregar na cabeça, mas a maioria dos que carregam adoram, porque ser ruivo é ser FODA!

Mais em: http://sonhosrazoes.blogspot.com/

segunda-feira, 28 de março de 2011

"Bárbara Ruiva" 8)

Excerto do conto "Bárbara Ruiva", um inédito da autoria de Rómulo de Carvalho, recentemente publicado pela Página a Página, onde o autor, o professor de Físico-Química que haveria de adoptar o pseudónimo de António Gedeão, narra o encontro com Bárbara:
"Ela tinha os cabelos ruivos, ondulados com suavidade, soltos e sedosos. As poeiras, intensamente iluminadas, bailavam-lhe em torno e ganhavam a dulcíssima tonalidade ruiva. Na concavidade das ondulações breves, o Sol escorria e parecia acomodar-se em nichos de luz mais discreta. Um halo vaporoso espiritualizava-lhe os contornos e fazia perceber suavíssima penugem que faiscava com tons metálicos de cobre.
Ela falava, de costas para mim, e, de vez em quando, movia a cabeça ao sabor da conversa. Cada movimento daquela cabeça sobrenatural enchia de confusão o mundo luminoso das poeiras. Os grãozinhos projectavam-se a distância, salpicavam a luz, revoluteavam em turbilhões doidos, atropelavam-se, chocavam-se e, pouco a pouco, procuravam o equilíbrio perdido, aquietavam-se, refluíam para os fios ruivos do cabelo.
(...) Decerto um feixe de cabelos lhe caiu sobre os olhos, pois vi, na faísca fulgurante de luz, uma pequena mão que se levantou à altura da testa e afastou a fiada ruiva. Foi tão grande o alvoroço de poeiras que as vi disparar, vertiginosamente, em linhas rectas, como saltam as partículas incandescentes duma fogueira que se espalha com os pés. Deve ser assim o deflagrar dos sóis que enxameiam o universo. Aquele, era um sol de cobre. A minha cara, quase na obscuridade, devia ter a tonalidade ruiva. Sentia-a nos olhos, nas faces, nas mãos e em tudo o que me rodeava. A cabeça dela cortava totalmente o feixe de luz que incidia naquele mar de fogo e se reflectia abertamente sobre mim, me aquecia e me narcotizava".

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Desabafo de um ruivo

Dizem que somos uma mutação genética surgida na África há 50 mil anos atrás e, que migramos (imediatamente?) para o norte da Europa (como vim parar aqui?). No século XVI acreditava-se que a gordura de um dos nossos era essencial para a elaboração de poções. A Igreja Católica ou os artistas contratados por ela (o que importa?), representava a igualitária Eva e o criminoso Caim, como um de nós. A cultura germânica nos considera bruxos, e os egípcios achavam que dávamos azar e queimavam as mulheres do nosso grupo. Abelhas preferem nos ferroar do que picar as outras pessoas. Na Córsega, cospe-se no chão e vira-se para o outro lado ao passar por uma mulher do nosso grupo. Já na mitologia grega, nós nos transformamos em vampiros depois de mortos.
Aqui no Brasil, chamam de rutilismo este fenômeno que nos cobre (literal e integralmente). Somos menos de 4% em todo o mundo. A maioria está na Escócia (13%), mas na Irlanda somos 10%. E no Brasil? Talvez menos de 1% e, acredite, sofremos muito com isso. Se você ainda não percebeu, estou falando dos ruivos. Mas há pontos de vista contrários a esse turbilhão preconceituoso. Alguns de vocês, morenas e morenos, são atraídos para a cor vermelha, como um touro espanhol é atraído fixa e implacavelmente.
A atriz Lucille Ball profetizou (ou praguejou?): “Uma vez em sua vida, cada homem tem direito a ficar loucamente apaixonado por uma ruiva linda.” É claro que as mulheres em geral também têm esse direito com ruivos. Foi comprovado cientificamente que a cor vermelha melhora o metabolismo e aumenta a freqüência cardíaca e respiratória de quem a olha. Paralelo à ciência, fala-se que estar com um(a) ruivo(a) fisicamente, multiplica-se as características citadas anteriormente. Pergunte a quem já experimentou. Os romanos vendiam os escravos ruivos e peludos por um preço bem acima da média do mercado (espertos os caras). Para onde e para quem vendiam os ursões dourados?

[Nelson Corrêa - Pô, meu! (http://pomeu.com/)]