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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Ode às Ruivas


Uma ruiva é sempre apoteose!
sua palidez quase medida,
seu olhar e seu andar lânguidos,
seu rosto cheio de expressão

Uma ruiva é sempre um presente.
Seus cabelos em fogo,
suas faces coradas,
seu porte de nobreza singela.

Uma ruiva é um sinal dos deuses
de que o mundo há de ser belo.
É um momento de generosidade,
uma epifania estética!

Olhar uma ruiva é torpor.
É arfar e tornar a arfar.
É encantar-se
momentânea e eternamente!

Ver uma ruiva,
em seu passo displicente
(como quem não sabe o que me causa),
é a marca de um bom dia

Uma ruiva alegra meu dia,
com suas sardas e sua aura,
mesmo com a derrota do time
ou a morte do parente.

Essa é uma magia
que só às ruivas pertence
uma ruiva é um momento de encanto
que eu expresso em meu canto

segunda-feira, 28 de março de 2011

"Bárbara Ruiva" 8)

Excerto do conto "Bárbara Ruiva", um inédito da autoria de Rómulo de Carvalho, recentemente publicado pela Página a Página, onde o autor, o professor de Físico-Química que haveria de adoptar o pseudónimo de António Gedeão, narra o encontro com Bárbara:
"Ela tinha os cabelos ruivos, ondulados com suavidade, soltos e sedosos. As poeiras, intensamente iluminadas, bailavam-lhe em torno e ganhavam a dulcíssima tonalidade ruiva. Na concavidade das ondulações breves, o Sol escorria e parecia acomodar-se em nichos de luz mais discreta. Um halo vaporoso espiritualizava-lhe os contornos e fazia perceber suavíssima penugem que faiscava com tons metálicos de cobre.
Ela falava, de costas para mim, e, de vez em quando, movia a cabeça ao sabor da conversa. Cada movimento daquela cabeça sobrenatural enchia de confusão o mundo luminoso das poeiras. Os grãozinhos projectavam-se a distância, salpicavam a luz, revoluteavam em turbilhões doidos, atropelavam-se, chocavam-se e, pouco a pouco, procuravam o equilíbrio perdido, aquietavam-se, refluíam para os fios ruivos do cabelo.
(...) Decerto um feixe de cabelos lhe caiu sobre os olhos, pois vi, na faísca fulgurante de luz, uma pequena mão que se levantou à altura da testa e afastou a fiada ruiva. Foi tão grande o alvoroço de poeiras que as vi disparar, vertiginosamente, em linhas rectas, como saltam as partículas incandescentes duma fogueira que se espalha com os pés. Deve ser assim o deflagrar dos sóis que enxameiam o universo. Aquele, era um sol de cobre. A minha cara, quase na obscuridade, devia ter a tonalidade ruiva. Sentia-a nos olhos, nas faces, nas mãos e em tudo o que me rodeava. A cabeça dela cortava totalmente o feixe de luz que incidia naquele mar de fogo e se reflectia abertamente sobre mim, me aquecia e me narcotizava".