sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ruivos (Marcelo Adnet)



kkkkkkkkkk
muito bom!

quinta-feira, 31 de março de 2011

Ela Veio.

Ela veio,
toda cheia de si
e tão mais sensual.
Pôs os homens a admirar o rebolado
de suas curvas indômitas
e traiçoeiras,
que se estradas fossem,
veículo algum sairia inteiro.

Hipnotizou homens
e mulheres
e todos os olhares,
embriagados pelo seu falar pélvico,
e fez de todos seus escravos,
e olhos que seguiam o sentido de seus movimentos.
Juntos a bailar,
a esquerda,
a direita
e acima e além.

Todos, sem excessão, renderam-se aos seus encantos.
E sim, amigos e amigas, mesmo ele, todo poderoso,
embriagado pela beleza da ruiva a bailar,
o demônio vendeu sua alma,
e, sem notar, viu-se a gritar a noite.

O demônio, entregue às curvas de uma ruiva apimentada,
fez deus perdido,
sem rumo,
e assim, ambos, morreram de braços dados,
pela beleza de uma mulher
que os puseram a pensar.

E desde então somos assim, todos,
homens, refletidos na imagem divina,
eternos escravos de nossas mulheres
e todas as mulheres,
rendendo-lhes graças
e evitando-lhes a verdade.

E mesmo evitando, sabemos, desde sempre,
que somos, todos, sem exceção, escravos,
escravos delas, elas, nossas deusas,
nós, vossos escravos e sempre,
pra sempre
e nunca mais. 

segunda-feira, 28 de março de 2011

"Bárbara Ruiva" 8)

Excerto do conto "Bárbara Ruiva", um inédito da autoria de Rómulo de Carvalho, recentemente publicado pela Página a Página, onde o autor, o professor de Físico-Química que haveria de adoptar o pseudónimo de António Gedeão, narra o encontro com Bárbara:
"Ela tinha os cabelos ruivos, ondulados com suavidade, soltos e sedosos. As poeiras, intensamente iluminadas, bailavam-lhe em torno e ganhavam a dulcíssima tonalidade ruiva. Na concavidade das ondulações breves, o Sol escorria e parecia acomodar-se em nichos de luz mais discreta. Um halo vaporoso espiritualizava-lhe os contornos e fazia perceber suavíssima penugem que faiscava com tons metálicos de cobre.
Ela falava, de costas para mim, e, de vez em quando, movia a cabeça ao sabor da conversa. Cada movimento daquela cabeça sobrenatural enchia de confusão o mundo luminoso das poeiras. Os grãozinhos projectavam-se a distância, salpicavam a luz, revoluteavam em turbilhões doidos, atropelavam-se, chocavam-se e, pouco a pouco, procuravam o equilíbrio perdido, aquietavam-se, refluíam para os fios ruivos do cabelo.
(...) Decerto um feixe de cabelos lhe caiu sobre os olhos, pois vi, na faísca fulgurante de luz, uma pequena mão que se levantou à altura da testa e afastou a fiada ruiva. Foi tão grande o alvoroço de poeiras que as vi disparar, vertiginosamente, em linhas rectas, como saltam as partículas incandescentes duma fogueira que se espalha com os pés. Deve ser assim o deflagrar dos sóis que enxameiam o universo. Aquele, era um sol de cobre. A minha cara, quase na obscuridade, devia ter a tonalidade ruiva. Sentia-a nos olhos, nas faces, nas mãos e em tudo o que me rodeava. A cabeça dela cortava totalmente o feixe de luz que incidia naquele mar de fogo e se reflectia abertamente sobre mim, me aquecia e me narcotizava".

quarta-feira, 23 de março de 2011

A Globo precisa dos Ruivos!!

A Rede Globo está produzindo um programa chamado Batendo Ponto, que estréia agora, dia 03 de abril.
O programa precisa de RUIVOS E RUIVAS, porém está com uma dificuldade danada para encontrá-los (Criança é mais difícil ainda!) Quem quiser participar da seleção para o programa é só mandar um e-mail com foto para o produtor Wellington (welingtonborges@globo.com), colocando como assunto do e-mail a palavra “Ruivos”. 
Tem mais, se você escrever dizendo que faz parte do Movimento Vermelho, da peça Os Ruivos,  você ganha 20% a mais no cachê.




Participe e se torne um artista global :)

sábado, 19 de março de 2011

Cabelos em chamas (por Ivan Lessa)

Chamávamos de “Ferrugem”. Ou então “Russo”. Lembro-me de um “Polaco” e um “Judeu”.

Não foram muitos os meninos ruivos que passaram por minha infância e juventude e eu pela deles. Não havia maldade nos apelidos. Eu diria até que beiravam o carinhoso.
Uma vontade de que enturmassem, ficassem à vontade, topassem pegar no gol na hora da pelada. De que nos chamariam eles, na doce intimidade de seus lares (sempre misteriosos, sempre estrangeiríssimos)? “”Caboclo”, “Mameluco”, “Bola Sete”, “Tição”. Por aí, quero crer. Estariam certos, cobertos de razão.
Uma coisa descobrimos logo: eram poucos os ruivos de nosso conhecimento. Tinha no cinema americano. De estalo, lembro-me de Dennis O´Keefe e Van Johnson.
Havia algo meio ridículo no fato de um homem adulto ser ruivo e, além do mais, o cinema querer nos enganar ser possível uma mulher se apaixonar pelo “cabeça de cenoura” em questão.
Esther Williams apaixonada por Van Johnson? Ora, não chateie, leão da Metro, vá rugir lá para suas – perdão, era expressão – nêgas. Eleonor Parker, Rhonda Fleming, Jeanne Crain e Arlene Dahl, tudo bem. A ruivez das atrizes citadas, era um poderoso afrodisíaco que nos transportava a um instigante mundo de indagações, eróticas todas.
De repente, nos vemos de calças compridas e estamos conhecendo o mundão. E algumas – novo perdão, leitor – mundanas.
Enfim, uma ruiva autêntica, dizemos um belo dia e vamos comemorar e rememorar no boteco da esquina contando tudo tim tim por tim tim para o companheiro ainda não-iniciado mas em vias, em vias…
Depois, como em todo depois, a vida se normaliza e, como no verso de Drummond, parafraseando, passamos às morenas ou, se for o caso, aos morenos como vocês.
O carnaval não mente. Quem se lembrar de uma marchinha louvando os encantos da ruivinha ganha um doce de abóbora com coco, daqueles bem ruivos.
Loirinha, mulata, morena, estavam todas lá, de odalisca ou pescadora, nos tentando no meio do salão. Ruivinhas? Jamédelavi, para cunhar uma expressão.
Além do mais, havia (mais um) preconceito: ruivo e ruiva vinha invariavelmente com sardas e sardas, sabíamos, nem pensar. A não ser… Mas eu já bati nessa tecla perigosa, deixa pra lá.
O cerne ruivo da questão
Todas essas memórias e pensamentos despropositados ocorrem-me por ter me dado à pachorra de ler um artigo enorme sobre as recentes provas científicas, baseadas em genes geniais, e outras bolações mais diabólicas que o YouTube, com ou sem a Cicarelli, na praia ou ao fogão, provas científicas, dizia eu, que os primeiros bretões da Grã-Bretanha eram ruivos até a raiz de seus cabelos, como é natural (foi há mais de 30 mil anos, ainda não se pintavam os cabelos).
A questão provada por D mais N e mais A não chegou a abalar as instituições das ilhas, que nunca deram muita pelota para esse negócio de ruivez.
Como um preconceito, ou idéia recebida, para ser menos cruel, faz parte do DNA humano, sempre deixaram a coloração essa (também chamada de “ginger”) para os escoceses. Era uma generalização a mais. Melhor que servir de sargento no Iraque ou Afeganistão.
Vocês não estão familiarizados com a “disfunctional” família Simpson, mesmo dublada para “desfuncional”? Lembram do Zelador, o Willy? Mais escocês só o uísque Buchanan's. Assim caminha a humanidade. Agora, quanto aos carecas… (aguardem futura análise e crítica)

sábado, 12 de março de 2011

A lenda do homem da Barba Ruiva

Homem encantado que vive na lagoa de Paranaguá, da vila do mesmo nome, ao sul da província do Piauí. É alvo, de estatura regular, os cabelos avermelhados, de tempos a tempos sai a aquecer-se ao sol e deita-se na areia à margem da lagoa. Quando ele sai da água mostra as barbas, as unhas e o peito todos cobertos de lodo e limo. Em outro tempo ele costumava aparecer freqüentemente, e muitas pessoas tiveram ocasião de se encontrarem frente a frente com ele, o que era logo sabido por todos os habitantes da vila, que, cheios de assombro, narravam o fato de boca em boca. Todos temem o Barba-Ruiva, como um ente encantado, mas é inofensivo, pois não consta que ele fizesse mal a alguém, apesar dos constantes encontros em terra.
Muitas vezes algumas pessoas que iam tomar banho ou simplesmente passear nas margens da lagoa, encontravam-se com o Barba-Ruiva e, tomando-o por outra pessoa, dirigiam-lhe a palavra; se era homem, o Barba-Ruiva não dava resposta; dirigia-se lentamente para a lagoa e desaparecia nas águas. Compreendiam então que falavam com um encantado; aqueles que tinham um pouco de coragem corriam para a vila a noticiar o caso, e os que eram medrosos aí mesmo caíam sem sentidos. Se era, porém, mulher, que se dirigia para a lagoa, o Barba-Ruiva ocultava-se para que ela se aproximasse sem receio e, logo que ela estava perto, atirava-se sobre ela, não com o fim de ofendê-la, mas de abraçá-la e beijá-la. Por isso não há mulher que queira ir sozinha à beira da lagoa.
A história da origem do Barba-Ruiva é conhecida em quase todo o sul do Piauí. Relatou Dona Damiana, moradora da localidade:
"Não está vendo esta lagoa? Pois bem, é encantada e algum dia ela há de crescer tanto, que encobrirá toda esta vila e todos nós morreremos afogados. Antigamente não havia esta lagoa, em seu lugar era uma imensa mata de carnaubeiras, cortada por um riachinho. A água que a gente daqui bebia era tirada de cacimbas, cavada à beira do riacho. Numa ocasião, uma moça, tendo ido buscar água nas cacimbas, inesperadamente deu à luz a um menino, que, por não lhe convir que sua mãe soubesse e não conhecendo o amor materno, atira desapiedadamente a pobre criança em uma cacimba cheia d'água. Isto foi bastante para tornar aquele lugar encantado; logo no outro dia, as águas do riacho tinham crescido tanto que já encobriam todas as cacimbas. Em menos de uma semana aquela mata de carnaubeiras tinha sido substituída por aquela lagoa, que ameaçava de uma hora para outra engolir toda a vila, assim como já tinha engolido uma parte. Logo nos primeiros tempos era horrível a vida naquele lugar, principalmente para quem vivia perto da lagoa, porque durante a noite ouvia-se um barulho infernal saído do fundo do lago; ora era o ruído de pratos, uns contra os outros, ora o relinchar de cavalo e tudo isto acompanhado do choro de uma criança. Muitos anos depois, apareceu pela primeira vez um homem saído da lagoa, que, pela cor avermelhada de seus cabelos, apelidaram-no o Barba-Ruiva. Conheceu-se então que é o filho daquela mãe desnaturada, que o atirou na cacimba, e que foi ele o gerador daquela lagoa encantada.”

terça-feira, 8 de março de 2011

Judas Iscariotes – ruivo?

Obviamente, nós nunca saberemos se Judas Iscariotes, o famoso apóstolo da Bíblia que traiu Jesus Cristo por 30 moedas de prata, foi realmente ruivo ou não, mas ele é frequentemente retratado em pinturas medievais como tendo os cabelos e barba vermelhos flamejantes. A expressão "cor de Judas" foi usado para se referir ao cabelo vermelho, e não menos do que um personagem de William Shakespeare fez referência a ele em “As You Like It” ("Seu cabelo é da cor da dissimulação, algo mais marrom do que o de Judas").
Como uma grande ironia do destino, acredita-se que a figura de Judas foi pintada pelos artistas da época como tendo os cabelos vermelhos em função da necessidade de fazer com que o traidor se destacasse dos demais Apóstolos nas pinturas, tendo este fato contribuído para séculos de discriminação e atitudes negativas em relação aos ruivos.